Grupo mostra o que há de melhor na Terceira Idade
Encontrar-se numa situação em que o cansaço e o sentimento de inutilidade batem à porta, oferecendo a depressão e a solidão. Por que não reverter este quadro? Por que não vislumbrar os valores da vida depois de tantas experiências prazerosas pelas quais se passou? É possível reavivar a vontade de viver e o desejo de ser mais feliz?
Para o programa “Universidade com a Terceira Idade”, tudo isso é possível. A melhor fase da vida se dá quando se pode aproveitar ao máximo os momentos a partir das experiências vividas. Mais ainda quando se possui alegria de viver e o desejo de ser feliz expresso no sorriso que há muito estava escondido.
O programa é uma iniciativa da Universidade Federal de São João del-Rei, que já contemplou cerca de 210 idosos através de práticas educativas, garantido cidadania, inclusão social, além de instigar a cultura por meio dos talentos musicais, teatrais, artesanais e artes plásticas, principalmente por parte dos participantes.
“O que presenciamos e somos cúmplices são as pessoas despertando para a vida e se comprometendo com ela. Pessoas que sabem que a vida não tem idade e que o momento para aprender, crescer, viver e ser feliz é o momento presente”, afirma a atual coordenadora do programa, Maria Anália Catizane Ramos.
Artes
A dinâmica do projeto é constituída de aulas semanais, nas quais é discutida a relação do idoso na sociedade, sua relação familiar e aspectos de sua saúde. Além disso, os participantes também podem integrar grupos de teatro e relembrar os momentos marcantes de suas vidas em oficinas.
“Amo o programa, pois a gente tanto aprende como ensina. Faço teatro desde menina e aqui posso atuar como uma garota. É fantástico!”, afirma a aposentada Nazaré Freitas, de 66 anos, encantada com a sua participação no projeto.
Maria Rocha, de 59 anos, atua como protagonista na peça “No Teatro das Sombras de Ofélia” e classifica a experiência como enriquecedora. “Há dois anos, eu entrei no grupo e foi muito bom. Eu jamais imaginava fazer o que estou fazendo”, relata emocionada.
Ela também conta que morava na capital de São Paulo e que encontrou um forte acolhimento quando se mudou para São João del-Rei. “Amo essa cidade, porque aqui me libertei e encontrei a felicidade. O que eu não fazia na minha juventude, eu faço agora”, declara.
Surgimento
Universidade com a Terceira Idade foi idealizado por um grupo de professores e técnicos da instituição, coordenados pela ex-professora do Departamento de Educação, Maria José Cassiano. O trabalho teve como base um projeto desenvolvido pela Universidade Federal de Juiz de Fora, no ano de 1995.
“Foi uma surpresa quando apresentei a ideia aos professores parceiros. Trabalhávamos na educação de crianças e era necessário voltar o olhar para pessoas que viviam a terceira idade. Executamos o projeto e há 15 anos ele traz bons frutos aos participantes e à sociedade”, conta Maria, mais conhecida como Zezé Cassiano.
O programa é aberto a pessoas acima de 55 anos que buscam um acolhimento na “melhor idade”. As inscrições são feitas regularmente na secretaria da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas da universidade e as turmas são abertas a cada dois anos. O tempo de formação é de dois anos e meio.
15 anos
O grupo comemorou, no dia 17 de novembro, os 15 anos do programa. Numa programação repleta de atrações culturais, os participantes demonstraram seu talento, além de prestigiar apresentações artísticas preparadas especialmente para a data.
O grupo Xamã, do curso de Teatro da UFSJ, apresentou o espetáculo “Bolsas, pelotas e cambalhotas”. O técnico-administrativo Alfredo Bastos abrilhantou o evento, cantando sambas e serestas do tempo dos participantes. “A plateia se rendeu às boas lembranças proporcionadas pela música de seu tempo”, declara Bastos.
Além das apresentações de grupos externos, a aluna Maria Rocha incorporou Ofélia na peça teatral e deu um show, mostrando a sua simpatia e alegria em participar desse projeto que, há 15 anos, transforma a vida das pessoas.